Impulse...

Quando vivemos e trabalhamos com um artista profissional, de nome conhecido e cara mais que reconhecida nas nossas ruas, naturalmente tudo se centra nele. Nem era de esperar outra coisa, quer dizer, quando somos nós próprios os responsáveis pela divulgação, agendamento e produção, o normal é pô-lo no foco principal das nossas actividades.

Mas, e em todas as histórias há um mas, quando nós mesmos somos (ou tentamos ser) parte infimamente pequena mas integrante desse grande alguidar onde se juntam todos os que estão criativamente ligados às artes, há um momento, por breve que seja, em que temos a pretensão de fazer acontecer alguma coisa com o que criamos.

Não é fácil, para mim pelo menos que não sou agente nem manager, conseguir gerir duas forças quase paralelas, que muito paralelamente precisam de tempo e cuidados para crescer e florescer. 

Então o que se faz? Vai-se tentando editar livros que, por muito acarinhados e até elogiados que sejam, não chegam a sair dos caixotes. 

E pronto! É mesmo assim. A vida dum escritor"ish" sem editora nem distribuidora resume-se a isso mesmo. Os ingleses usam a expressão proud edition para se referir às edições pagas pelo autor, que hoje por cá crescem como cogumelos. E, se calhar não estão longe da verdade. 

Enfim, toda esta realidade não está muito longe das vidas de tantos outros que, por um acaso dos astros, não vivem nem trabalham com um artista mais que conhecido como o Carlos. E por isso até aqui não trago grande novidade à conversa.

A questão é que, quando ouvimos a frase "E se um desconhecido te oferecer flores...", esperamos ouvir de imediato "Isso é... Impulse!". E quando não é... Bem, quando não é um desconhecido mas alguém que nos conhece e por quem temos uma enorme estima, e o "isso" não é Impulse, por muito savoir faire que tenhamos, mais tarde ou mais cedo vamos ter vontade de atirar o ramo pela janela e borrifar toda a casa (ao género de bênção) com o dito Impulse. Mas como sou alérgica à grande maioria dos perfumes, imagino que o referido não sai do padrão e o devaneio traduzir-se-ia num ataque de tosse que me arrastaria para a rua, a par das flores, até passar o cheiro... 

Por isso fiquemo-nos pelo balde de água fria (e estamos num Inverno rigoroso) de perceber que, quando se fala num Festival de Literatura, e é comigo que querem falar, na verdade não estão, nem nunca tal lhes passou pela ideia, a falar das minhas minúsculas quatro tentativas de edição, mas sim num concerto do Carlos. Eu explico a parte das "tentativas": no primeiro ano de Filosofia a minha Professora, uma jovem entusiasta e bem disposta, disse-me que, se ser Filósofo não obrigasse à prática regular do pensamento filosófico eu poderia ser chamada de Filósofa. No fundo uma forma bonita de dizer a uma aluna que não se está a dar mal na disciplina. Mas eu levei a sério e apliquei/aplico a todas as actividades ou profissões.

E pronto, orgulhos feridos à parte, arrumemos os perfumes que me fazem mal, ponhamos as flores numa jarra para não morrerem e não acordemos as expectativas para não ficar "à beira dum ataque de nervos". 

O meu objectivo profissional, afinal, é mesmo promover, agendar e produzir o Carlos Alberto Moniz, que não tem nada a ver com estes Impulses, ou falta deles. Estou, por isso, feliz com a possiblidade da marcação de um concerto num Festival de Literatura! Estou mesmo, sem ressentimentos. (Ok, talvez com uma ou outra desilusão, mas muito marginal.)

E o mundo compreendeu (ou não), e o dia há-de amanhecer em paz.  

Liliana Lima



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Ora vamos lá ver, gostava de fazer uma ou duas perguntas (às quais podem responder nos comentários para isto ser interactivo) e depois deixa...