Eu e o Carlos conhecemo-nos há 51 meses, estamos juntos há 45 e partilhamos cama e mesa há 39. Foi muito rápido? Sim, é verdade. Ainda não tivemos tempo para amadurecer a relação? Tivemos. Mais que tempo. (Nós e o mundo quase todo.) Estes cálculos representam pouco menos de 100% do tempo útil que passamos juntos. Afinal, COVID à parte, trabalhamos juntos, em casa a maioria das vezes e raramente estamos separados por mais de 12 horas. Não sou dada a matemática, mas decidi fazer a conta em horas, por pura curiosidade. Falo, então de (mais ou menos) 36 700 horas. Não é muito nem pouco, são nossas!
Posto este primeiro esclarecimento, os cálculos de que queria falar, têm a ver com outras contas.
No início, há 51 meses, quando conheci o Carlos (pessoalmente, porque conhecer toda a gente o conhece), foi como entrevistadora e a resposta à minha pergunta “Quantas Primaveras já viu?” foi algo surpreendente mas quase indiferente (já disse que não sou dada a números). Depois, com o avançar dos meses, o cálculo da diferença entre as Primaveras dele e as minhas foi-se tornando cada vez mais presente. Não em mim, não em nós, mas nos olhos que nos viam pela primeira vez juntos. Olhando para quem nos olhava, quase ouvia a mente de cada um a calcular a diferença entre idade aparente e idade diferente, para chegar ao número certo de 27, ou seja 324 meses (mais mês, menos mês) de diferença entre nós. Isso faz 18 meses de diferença entre mim e a Lúcia, quase 60 meses para a Sara (sem chegar à Inês e ao João, que estando um bocadinho mais longe, deixam de ter interesse aos cálculos curiosos).
Esta era a primeira forma de comunicação de cada pessoa ao conhecer-nos. As primeiras palavras, mesmo que abafadas. O primeiro julgamento, de quase todos. E a primeira sentença, quase sempre reflectida num esgar fugidio que acabava por denunciar a afirmação em surdina da condenação ou não da relação (que muitas vezes vinha mesmo em voz alta com o cálculo dos meses que nos eram reservados até ao espalhanço final).
Hoje, 39 meses de conversas de almofada depois, entre COVID, filhos e relações familiares, cantigas partilhadas e concertos criados em conjunto, os cálculos mais ou menos óbvios de quem nos conhece, já me são completamente indiferentes.
Ainda assim, achei importante começar por aqui, sem tabus. O vosso julgamento? A vossa sentença? Desculpar-me-ão, mas passam-me ao lado.
No início era o verbo, depois começou a história…
Liliana Lima

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